
“A complexidade é um desafio ao conhecimento, não uma, solução. Quando dizemos «é complexo», confessamos a nossa incapacidade para dar uma descrição ou uma explicação simples, clara e precisa. Sentimos que aspectos diferentes, também, contraditórios, estão ligados, mas sem que possamos dar conta. Estamos no impreciso e na confusão, e como dizemos cada vez mais vezes «é complexo», cada vez menos somos capazes de descrever e de explicar, mas sem estarmos conscientes desta incapacidade. Em suma, o «é complexo» exprime o nosso embaraço, a nossa incapacidade para definir de forma simples, para nomear de forma clara, para pôr ordem nas nossas ideias. O conhecimento complexo é uma tentativa de responder a este desafio. Foi durante a minha estadia na Califórnia, em que mergulhei nas teorias da informação, dos sistemas, da auto-organização, da cibernética, que o termo aparentemente indefinível de complexidade encontrou a sua primeira definição através do cibernético neurologista britânico Ashby”.
Edgar Morin – “O meu caminho”. Entrevista com Djénane Kareh Tager. Instituto Piaget, 2009.
Edgar Morin – “O meu caminho”. Entrevista com Djénane Kareh Tager. Instituto Piaget, 2009.