O atletismo infanto-juvenil dos Açores, por aquilo que já realizou, tanto a nível regional como nacional, merece um lugar de destaque no panorama do desporto açoriano.
Para além das dificuldades encontradas, devido à grande dispersão geográfica, e ao reduzido número de habitantes da Região, os Açores, ano após ano, vão reforçando e consolidando a sua participação em provas de âmbito nacional, através de classificações bastante honrosas. Tudo isto se deve em grande parte à dedicação e ao empenhamento dos técnicos, atletas e dirigentes associativos e ainda ao envolvimento da Direcção Regional de Educação Física e Desporto nas iniciativas inerentes ao desenvolvimento da modalidade.
Os Açores são uma parcela do território nacional, com características muito próprias, diferenciando-os de todo o resto do país. Existe o mar que divide as ilhas, e este é o principal obstáculo ao desenvolvimento não só do atletismo, mas de todo o desporto regional. Por isso, os Açores só poderão avançar, se se unirem em torno de grandes objectivos regionais e criar sobretudo uma mentalidade que reforce a ideia de Unidade Regional.
Se o mar divide, pode também aproximar. É com base naquilo que é comum que se pode edificar o futuro do desporto regional.
A construção das pistas de material sintético na Terceira e em S.Miguel, foi uma aposta corajosa na Juventude destas ilhas, e apostar nos jovens, é um desafio previamente ganho, para quem acredita no futuro. Por outro lado, é o reconhecimento pelo poder instituido de que o Desporto é um forte factor de progresso e de desenvolvimento regional, constituindo-se desta forma como parte integrante da Cultura Açoriana.
Hoje, mais do que nunca, o desenvolvimento do desporto regional, exige maiores responsabilidades do Movimento Associativo, devendo este assumir-se como estrututa capaz de garantir a actividade desportiva a todos os cidadãos. Do conjunto destas responsabilidades, gostaríamos de referir, para além de outras igualmente importantes, a Formação de todos os agentes desportivos, quer sejam eles atletas, dirigentes, técnicos,arbitros, jornalistas,etc. A Formação é um elemento fundamental na transformação da realidade do atletismo regional, que ao ser equacionada com outros factores de desenvolvimento, constitui-se como polo aglutinador do processo qualitativo da modalidade.
Apesar de considerarmos que as Associações de Atletismo dos Açores necessitam de uma grande autonomia em relação umas às outras, tendo em conta que cada ilha tem uma realidade própria, pensamos que se torna importante reforçar e consolidar ainda mais o diálogo existente entre todas as "forças vivas" do atletismo, no sentido de se elaborar uma estratégia comum de desenvolvimento que vise a melhoria do nível desportivo do atletismo dos Açores. Se por um lado, é importante aumentar o número de praticantes em todas as ilhas da região, por outro, não devemos esquecer que este aumento, poderá e deverá influenciar positivamente o alargamento da nossa "elite regional". As preocupações deverão incidir em ambos os casos, apesar do actual nível desportivo apontar para que a grande prioridade se situe ao nível da criação de condições para uma verdadeira generalização da prática desportiva a um número cada vez maior de crianças e jovens da região.
Parece-nos claro que estas preocupações não serão alheias às responsabilidades da Autarquia Local - entidade máxima responsável pelo desenvolvimento a nível concelhio. Sendo o desporto parte integrante do desenvolvimento de cada concelho, não fará sentido que nas preocupações da gestão autárquica, a problemática do desporto esteja também presente? Sendo assim, o desenvolvimento do desporto regional exige a participação (coordenada) de todo um conjunto de pessoas e entidades sem as quais o mesmo não é possível. No entanto, e a nosso ver, a liderança de todo este processo deverá pertencer à estrutura associativa.
Posfácio, in “Quantificação da carga de treino em jovens praticantes de atletismo na Região Autónoma dos Açores. Trabalho realizado no âmbito da cadeira de Organização e Planeamento do Treino com Jovens do Mestrado Treino do Jovem Atleta. Faculdade de Motricidade Humana, Universidade Técnica de Lisboa, (1993).