Já aqui realçámos a importância das questões relacionadas com o Planeamento e Organização Desportiva na evolução do nosso desporto regional. Uma das áreas do desporto com repercussões muito fortes no sistema desportivo é aquela relacionada com a Educação Física e Desporto Escolar.
Sendo a Escola o local onde passam (ou deveriam passar) todos os jovens, tornam-se evidentes as suas responsabilidades, a par de outras entidades, em tornar efectiva a prática das actividades físicas e desportivas para todas as crianças e jovens. A Escola deve assumir-se como entidade que promove o encorajamento de estilos de vida activos, de modo a que todos possam conceber a actividade física e desportiva como uma dimensão da orientação das suas vidas.
Assim, e objectivando melhor a responsabilidade da Escola no desenvolvimento da Educação Física (EF) e do Desporto, gostaríamos de referir a importância do Departamento de EF de cada escola, nomeadamente no que diz respeito às questões inicialmente mencionadas nestas “Notas Breves” – Planeamento e Organização Desportiva. Este é, em nosso entender, o “calcanhar de Aquiles” do nosso sistema desportivo.
Como estão organizados e como funcionam os Departamentos de EF das nossas escolas?
Que coordenação existe entre as actividades desenvolvidas pelos diversos Departamentos de EF de cada escola em cada ilha, e na região?
Como é garantida a coordenação da EF e do Desporto Escolar a nível regional?
Naturalmente que os Departamentos de EF e Desporto não são as únicas entidades responsáveis, acima delas encontram-se as estruturas da administração pública regional que tutelam o sector e que têm responsabilidades acrescidas, nomeadamente ao nível da definição de uma política desportiva para a Educação Física e Desporto Escolar.
Se pretendemos outros resultados, por sinal mais ambiciosos, teremos que mudar a nossa atitude, ou seja, a nossa posição mental perante os problemas. Assim, o “Programa de desenvolvimento da EF e Desporto Escolar” (PDEFDE) de cada escola, deve estar já elaborado aquando do início de cada ano escolar, incluindo a calendarização de todas as actividades a serem desenvolvidas durante cada ano escolar.
Se queremos melhorar o sistema, não faz muito sentido que os Departamentos de EF continuem a receber, a meio do ano escolar, propostas de participação em iniciativas que não estão calendarizadas no seu PDEFDE. Como exemplos referimos a “Taça Coca Cola” e o projecto “Mega Sprinter”, esta última uma iniciativa da Divisão do Desporto Escolar do Ministério da Educação, em parceria com a Federação Portuguesa de Atletismo, a que se associou a Direcção Regional da Educação Física e Desporto.
Não está em causa a excelência destas iniciativas, apenas sim a sua integração numa lógica de melhoria naquilo que julgamos ser um problema de Planeamento e Organização Desportiva.
Artigo publicado no Jornal Açoriano Oriental, edição de 12 de Março de 2005.
Rubrica Notas Breves.