São vários os sinais preocupantes relativamente aos hábitos da prática de actividades físicas e desportivas dos jovens açorianos. Num estudo realizado em 2002, com alunos do 1º ciclo do ensino básico, é referido que 15% de crianças mostram excesso de peso e cerca de 12% são obesas. Efectivamente, a obesidade infantil e juvenil parece ser já um problema da sociedade açoriana; um problema que se agravará na próxima década, se não forem tomadas medidas urgentes para contrariar tal situação.
Somos do que acreditam que o desenvolvimento da Educação Física e do Desporto Escolar pode contribuir determinadamente para o progresso social, pelas repercussões positivas que aquelas duas áreas têm na promoção da saúde pública dos cidadãos e, consequentemente, na poupança em despesas médicas (diversos estudos, de âmbito internacional, demonstram a influência favorável do desporto nas despesas de saúde).
Para além disso, a Educação Física e o Desporto assumem-se como meios educativos privilegiados para o desenvolvimento tanto pessoal como social das nossas crianças e jovens. Pesquisas recentes ao nível da investigação cerebral realçam a importância do movimento nas aprendizagens escolares e que o exercício físico é ainda uma das melhores formas de estimular o cérebro e a aprendizagem.
Parece-nos, pois, evidente que na “reestruturação do 1º ciclo escolar”, anunciada pelo Presidente do Governo Regional dos Açores em Janeiro último, a Educação Física e o Desporto Escolar deverão ocupar um lugar de destaque nas políticas regionais para a Educação.
Face às já anunciadas alterações orgânicas ao nível das estruturas que tutelam a Educação Física e o Desporto nos Açores (criação do Instituto do Desporto da Região Autónoma dos Açores e a passagem da Educação Física para a Direcção Regional da Educação), são necessários três pré-requisitos para que a mudança possa ocorrer. Em primeiro lugar, terá de existir da parte do Governo Regional vontade política para se iniciar nos Açores um novo ciclo relativamente ao desenvolvimento da Educação Física e do Desporto Escolar. Este é um aspecto imprescindível e determinante para que tudo o resto possa acontecer. Sem vontade política, muito dificilmente se alterará a actual situação da Educação Física e do Desporto Escolar dos Açores. Em segundo lugar, é necessário garantir o financiamento dos programas da política desportiva a ser seguida. Em terceiro lugar, assegurar as questões do Planeamento e da Organização Desportiva realizada por uma estrutura que, efectivamente, coordene a Educação Física e o Desporto Escolar a nível regional.
Nas próximas “Notas Breves” desenvolveremos, um pouco mais, as nossas ideias.
Artigo publicado no Jornal Açoriano Oriental, edição de 19 de Março de 2005.
Rubrica Notas Breves.