No nosso último escrito, referíamos a necessidade de existir da parte do Governo Regional vontade política para se iniciar nos Açores um novo ciclo, relativamente ao desenvolvimento da Educação Física e do Desporto Escolar.
Somos um país (e uma região) divorciado da prática desportiva – o país da Europa dos 25 com maior percentagem (66%) de população que nunca praticou desporto (dados do último Eurobarómetro da União Europeia).
Naturalmente que não cabe apenas ao Governo encontrar soluções para ultrapassar tal situação. No entanto, não devemos esquecer que a Constituição Portuguesa reconhece a todos os cidadãos “o direito à cultura física e ao desporto” e impõe ao Estado, por si e em parceria, a obrigação de “promover, estimular, orientar e apoiar a actividade desportiva”.
É necessário vontade política para reavaliar, no domínio das actividades físicas e desportivas escolares, o papel da disciplina de Educação Física e do Desporto Escolar e colocar o desporto no centro das politicas educativas.
Assim, e como primeira medida a ser tomada, torna-se imperativo a elaboração de um documento orientador do desenvolvimento da Educação Física e do Desporto Escolar para a Região Autónoma dos Açores. Um documento onde sejam definidas as medidas a concretizar e as metas a atingir, não para o curto prazo, mas sim num perspectiva estratégica de médio prazo. Igualmente importante é a referência ao modo como se pretende realizar a avaliação do desempenho das escolas e dos respectivos Departamentos de Educação Física face ao projecto para a Região.
Relativamente a este último aspecto, julgamos extremamente importante incluir orientações no sentido de reforçar os hábitos de avaliação e prestação de contas, relativamente aos projectos que habitualmente são elaborados no início de cada ano escolar. Se queremos atingir resultados mais ambiciosos, teremos que ser muito mais rigorosos na avaliação que fazemos no final de cada ano escolar. Este não é apenas um problema da disciplina de Educação Física, mas de todo o sistema educativo.
Como segunda medida a ser tomada, propomos que se acabe com a monodocência do 1º ciclo, nomeadamente para a disciplina de Educação Física. Em nossa opinião, o facto desta disciplina ser dada por professores especialistas, vem trazer benefícios acrescido relativamente à qualidade da formação físico-motora das nossas crianças. Por outro lado, seria criar maiores oportunidades de emprego a jovens licenciados em EF, integrando-os naquilo que julgamos poder ser “um novo ciclo do desenvolvimento da Educação Física e do Desporto Escolar”, na Região Autónoma dos Açores.
Artigo publicado no Jornal Açoriano Oriental, edição de 26 de Março de 2005.
Rubrica Notas Breves.