EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO ESCOLAR (7)




Na sequência do que temos vindo a defender para o desenvolvimento da Educação Física (EF) e do Desporto Escolar na nossa Região, e face a um novo ciclo resultante da passagem da EF para a Direcção Regional da Educação, gostaríamos de realçar um aspecto do planeamento que para nós é fundamental: a definição dos objectivos a alcançar e a sua avaliação.
Os objectivos são como um farol que iluminam o caminho a percorrer, orientando todos aqueles que de uma forma ou de outra estão implicados no processo educativo. No entanto, a nossa chamada de atenção vai para a forma como habitualmente os objectivos são formulados, não permitindo uma avaliação objectiva e consequentemente a impossibilidade de introduzir no processo as correcções necessárias.
Pela nossa experiência ao longo de mais de vinte anos de ensino, e ainda pela vivência que temos tido noutras realidades sociais, não estamos a mentir se afirmarmos que a maior parte das nossas instituições não tem, ainda, o hábito de avaliar de uma forma rigorosa o que inicialmente se programa.
Os objectivos devem ser definidos de forma clara e objectiva, ou melhor, devem ser mensuráveis. Isto quer dizer que não podemos melhorar o que não podemos medir.
Será que nos seus Projectos Educativos, as diferentes escolas definem os objectivos a atingir de forma mensurável? O que acontece quando eles são formulados de modo a permitir avaliações subjectivas ou os resultados forem impossíveis de apurar? Que dinâmicas transformadoras são introduzidas nas escolas cujos resultados estão longe dos esperados?
Que avaliação fazem os Departamentos de EF das diferentes escolas, quanto ao seu desempenho da actividade lectiva e extra-lectiva?
Que avaliação fazem os Serviços de Educação Física e Desporto Escolar de cada ilha relativamente às suas competências? Que balanço é feito sobre a orientação do desenvolvimento curricular da EF e do Desporto Escolar nas escolas da Região?
Qual a avaliação da coordenação da EF e do Desporto Escolar a nível regional?
Muitas outras perguntas poderiam ser feitas. No entanto, gostaríamos de deixar a ideia de que a lógica da avaliação, ou melhor, da gestão do desempenho, deve situar-se a todas as estruturas do sistema e a todos os níveis.
Estamos em crer que este não é um problema exclusivamente do nosso sistema de ensino. É um problema que diz respeito a toda a sociedade portuguesa, exigindo de todos nós uma nova mentalidade.
Iniciando-se no país um novo ciclo político com a tomada de posse do novo governo, e independentemente das opções políticas de cada um, todos nós devemos ser cúmplices de uma mentalidade que nos faça crer que somos capazes de ultrapassar os desafios e colocar o país (e a Região) na vanguarda dos países europeus.
Pode haver desporto sem esta nova mentalidade, mas pensamos que é um desporto sem futuro.

PS – Eis-nos chegados ao final destas “Notas Breves”, pelo menos com a regularidade semanal com que habituamos os nossos leitores. No futuro, e sempre que haja oportunidade, cá estaremos. Aqui deixamos as nossas opiniões, partindo do princípio que ninguém é dono da verdade. Apenas pretendeu-se contribuir para o debate das ideias.

Artigo publicado no Jornal Açoriano Oriental, edição de 2 de Abril de 2005 .
Rubrica Notas Breves