MOTIVAÇÃO PARA A PRÁTICA DESPORTIVA EM JOVENS PRATICANTES DE ATLETISMO NA REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES





"Toda a manifestação comportamental, explícita (observável) ou implícita (apenas pensada), tem causas que lhe dão existência, as quais podem ser internas ou externas ao organismo. O estudo dessas causas, quer nos aspectos energéticos despertados no organismo (que as alimentam e permitem os fenómenos activos consequentes), quer nas direcções que conduzam a finalidades, constitui o capítulo da Psicologia a que se chama motivação” (Rodrigues & Pina-Cabral, 1985).


No desporto, a investigação sobre as motivações dos jovens para a prática  desportiva tem-se revelado dum interesse acrescido, uma vez que poderá fornecer elementos para um melhor conhecimento da população considerada, assim como contribuir para uma eficaz organização e intervenção pedagógica.

Segundo Serpa, apenas depois de conhecer os porquês é possível ao professor ser eficaz e consequentemente nos como, isto é, nas técnicas susceptíveis de influenciar a persistência dos indivíduos nas actividades e a intensidade com que se lhes dedicam, já que na maior parte dos casos, o comportamento inicial de escolha das actividades escapa por completo ao controlo do técnico.


Só assim se compreende que a motivação constitua um dos grandes temas da psicologia que maior produção tem originado na investigação e literaturas científicas (Jorge Frias, Sidónio Serpa). No entanto, segundo Gill, apenas a partir do final da década de 70, a produção científica nesta área adquiriu alguma relevância.


Várias investigações abordando a problemática da motivação têm sido realizadas, realçando o PQM (Participation Motivation Questionaire), proposto por Gill (1983), cujo duplo objectivo foi: descrever os motivos de participação desportiva dos jovens e desenvolver um instrumento válido de medida (Serpa 1990). O questionário era composto por um conjunto de motivos (itens) para a prática desportiva, cuja importância era indicada pelos inquiridos segundo diferentes graus.


Para além de Gill, outros autores (Gould et al 1985, Klint e Weiss 1987, citados por Serpa, 1990), aplicaram este questionário ou adaptações dele a populações de jovens desportistas. Em todos estes estudos foram utilizados procedimentos estatísticos de análise factorial, o que permitiu agrupar os motivos em dimensões (factores) representativos daqueles.


Serpa e Frias traduziram e adaptaram para português este questionário, cuja versão é denominada QMAD (Questionário de Motivação para as Actividades Desportivas), sendo testado por Serpa (1992), numa população de jovens desportistas portugueses e devidamente validada, constituindo-se como um instrumento psicométrico válido para avaliar a motivação para a prática desportiva. Recorrendo da análise factorial, este estudo permitiu agrupar 25 dos 30 motivos (itens) em 7 dimensões  (factores) que o autor considerou:


1 - Realização/Estatuto: itens relacionados com aspectos inerentes à realização desportiva, associados com o estatuto social.

2 - Divertimento: associa itens que indicam um carácter afiliativo essencialmente dirigido por objectivos recreativos ou de divertimento.

3 - Actividade em Grupo: itens relacionados com a actividade praticada em grupo, onde parece estar subjacente o motivo global de cumprimento de tarefas colectivas.

4 - Contextual: inclui os itens que constituem aspectos contextuais dos pontos de vista social, material e psicológico.

          5 - Aptidão Física: inclui itens relacionados com a condição física.

6 - Aperfeiçoamento Técnico: relaciona o " descarregar energias" com "melhorar as capacidades técnicas".

          7 - Influência de família e amigos: influência de familiares e amigos.



Apenas 5 dos 30 itens não foram agrupados em factores, sendo como tal considerados independentes.


  OBJECTIVOS


          2.1- Determinar quais os motivos indicados por jovens na prática do atletismo e compará-los com aqueles obtidos nos estudos citados anteriormente.

          2.2 - Comparar os motivos referidos por atletas dos dois sexos e dos dois escalões (infantis e iniciados).

          2.3- Estudar as dimensões de motivação para a prática da modalidade.


O texto completo do estudo está na Página “Documentação”